segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Estruturas Psicomotoras - Lateralidade

Estruturas Psicomotoras

Lateralidade


Lateralidade é a dominância de um lado do corpo em relação ao outro, ao nível de eficácia, força e habilidades: enfim é o predomínio motor de um dos lados do corpo, resultante da relação entre as funções dos dois hemisférios cerebrais.

Segundo Vitor Fonseca, a lateralidade é a propensão que o ser humano possui de utilizar preferencialmente mais um lado do corpo do que o outro em três níveis: olho, ouvido, mão e pé.


A Lateralidade Cruzada e as Dificuldades de Aprendizagem


Em algumas ocasiões a mão dominante não coincide com o olho dominante de uma pessoa, o que pode provocar problema de aprendizagem e de desenvolvimento, sobretudo no que diz respeito à escrita.

A lateralidade é uma função complexa que deriva da organização binária do nosso sistema nervoso. De fato, grande parte do nosso corpo articula-se de forma dupla: dois olhos, dois ouvidos, duas orelhas, dois pulmões, dois rins, etc. O nosso cérebro também dispõe de duas estruturas hemisféricas especializadas que são responsáveis por controlar todo o complexo sistema dual, integrando a diferente informação sensorial, orientando-nos no espaço e no tempo e, definitivamente, interpretando eficientemente o mundo que nos rodeia.

Normalmente diferenciam-se quatro tipos de preferência ou dominância:
- Dominância Manual: preferência ou maior facilidade para utilizar uma das mãos (direita ou esquerda) para executar ações como apanhar objetos ou escrever.
- Dominância Pedal: indica-nos o pé dominante para efetuar ações como chutar uma bola, manter-se de pé apenas com uma perna, etc.
- Dominância Ocular: embora os dois olhos sejam necessários para configurar uma imagem correta, há um que se prefere para olhar por um telescópio ou para apontar, trata-se do olho dominante.
- Dominância Auditiva: refere-se à preferência ou tendência de escutar mais por um ouvido que por outro, por exemplo, ao falarmos ao telefone.
Há comprovadamente uma tendência de dominação do hemisfério esquerdo do cérebro nas atividades motoras. Acredita-se que o lado dominante é parcialmente inato ao sujeito parcialmente adquirido. 
Falamos de lateralidade homogênea quando a mão, o pé, o olho e o ouvido oferecem uma dominância no mesmo lado, quer seja no lado direito (destro) quer seja no lado esquerdo (canhoto / sinistro). Estamos perante uma lateralidade heterogênea ou cruzada quando existe uma lateralidade distinta da manual para os pés, olhos ou ouvidos (por exemplo, mão direita dominante com domínio do olho esquerdo). Nestes casos também se fala de “assimetria funcional”.
A lateralidade cruzada mão-olho tem sido uma das mais estudadas e com frequência é sinônimo de problemas na aprendizagem, em especial nos processos de leitura e de escrita.
O que determina a lateralidade?
O fato de uma criança ser destra ou canhota (sinistra) depende de muitos fatores, entre os quais se encontram a informação genética, a influência do ambiente familiar, a educação e a aprendizagem recebida.
Alguns estudos apontam que a possibilidade de se ter um filho canhoto sendo os progenitores destros é de cerca de 9,5%, aumentando este número para 26% se ambos os pais forem canhotos.
Também está provada a influência de fatores ambientais e sociais. Por exemplo, se desde pequena uma criança é orientada a escrever com a mão direita ou pegar objetos com esta mão, será provável que seja destra. Para além de que muitos objetos estão concebidos para serem manipulados por destros.
Problemas de aprendizagem
Embora nem todas as crianças têm lateralidade cruzada apresentem problemas de aprendizagem, é certo que têm maiores probabilidades de padecerem de:
- Dificuldades de autonomização de leitura, de escrita ou de cálculo.
- Ler muito devagar e com pausas.
- Dificuldade de atenção. 
- Hiperatividade.
- Problemas para organizar adequadamente o espaço e o tempo.
- Dificuldades na ordenação da informação codificada.
- Confusões direita-esquerda que dificultam a compreensão da dezena, centena.
- Confusão entre a soma e a subtração ou entre a multiplicação e a divisão. Também entre sílabas diretas e inversas.
- Desmotivação. Escasso ou nulo interesse em algumas atividades.
- Torpeza psicomotora. Confusão para situar-se à direita ou à esquerda a partir desse meio corporal.
- Melhor nível de compreensão das explicações verbais que das tarefas escritas.
 - Preferência pelo cálculo mental que pelo escrito.
- Pode apresentar disgrafia, dislexia, discalculia e tende a expressar o contrário do que pensa.
- Escrever letras e números invertidos, como se estivessem refletidos num espelho.
- Incapacidade para concentrar-se numa única tarefa durante um espaço de tempo determinado.
- Segundo o perfil da criança pode manifestar-se inibição, irritabilidade, desesperança, reações desmedidas, baixa auto-estima, etc.
Como detectá-los?
Até que a criança não comece a escrever (por volta dos 5 anos) não se avalia o tipo de lateralidade que apresenta. Há que ter em conta que nestas idades a lateralidade ainda está em construção, pelo que a avaliação não será determinante.
O problema não é ser destro ou canhoto, mas sim que as diferentes dominâncias estejam organizadas no mesmo lado, especialmente no que diz respeito à mão, olho e pé. Se for detectado na criança alguns dos problemas descritos em cima, será conveniente efetuar alguns exames para ver se a causa dos mesmos está na lateralidade cruzada.
Atividades para favorecer a aprendizagem
A intervenção para solucionar este problema é um tema muito controverso. Alguns psicólogos opinam que se deve começar desde que a criança seja muito pequena para evitar problemas posteriores na aprendizagem. Outros, pelo contrário, minimizam as consequências e defendem o desenvolvimento natural do processo limitando a intervenção para potenciar na criança as dominâncias estabelecidas.
Cada criança é diferente, pelo que deverá contar com a opinião de um psicólogo para determinar se é melhor levar a cabo uma terapia ou não.
A má lateralidade pode manifestar-se de diferentes formas, sendo a mais corrente a que pode dominar-se como cruz lateral simples na qual a criança utiliza habitualmente o seu olho dominante e escreve com a mão sub-dominante, ou seja é o caso de crianças destras de pé e mão mas com dominância no olho esquerdo ou vice-versa.
Nestes casos aconselha-se que atue sobre a alteração da dominância de mão antes da dominância de olho, já que assim opera a favor da tendência neurobiológica da criança.
No caso de aplicar-se uma alteração de dominância visual deve contar-se com as diretrizes de um especialista em optometria que dirija o tratamento, que normalmente consiste num programa de treino visual que implica a obstrução do olho que deve ceder à dominância.
Além disso, os pais podem ajudar a criança com diferentes atividades para reforçar a lateralidade:
- Assinalar, reconhecer e nomear cada uma das partes e detalhes, no próprio corpo e no outro.
- Reconhecer erros nos desenhos semelhantes.
- Reconhecer a posição que se tem em relação a um objeto: à direita, à esquerda, atrás, etc.
- Lançar e apanhar objetos, balões, etc.
- Bater palmas alternadamente.
- Abrir e fechar as mãos rapidamente.
- Tocar cada dedo com o polegar da mão respectiva.
- Lançar objetos com uma mão e com outra.
- Manter um objecto em equilíbrio numa mão enquanto com a outra se faz outra ação.
- Realizar desenhos com os dedos e com outro tipo de tintas.
- Repassar a própria mão dominante, contornando-a com um lápis, pintando-a e recortando-a.
- Com os olhos fechados identificar que objetos estão situados à esquerda e à direita.
- Desenhar pequenos objetos à esquerda e à direita de outro desenho.
- Escrever grupos de palavras que comecem por letras de simetria inversa.
- Atividades de movimentos dos olhos: movimentos direcionais (para cima, para a direita, etc.), movimentos com apenas um olho (olhar através de um tubo, fechar um olho, etc.).
- Atividades de recortar e colar.
- Atividades de seguir linhas, caminhos e labirintos.



Vídeo com Luciana Brites - Pedagoga, Especializada em Educação Especial; Psicopedagogia Clínica e Institucional e Psicomotricidade. 


Redes Sociais:


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Uma ida ao concerto musical - Desafio da Tarde - Fazendo Artes

  UMA IDA AO CONCERTO MUSICAL Coordenação motora fina, atenção, concentração, percepção visual, percepção sensório motora, treinar o ali...