domingo, 23 de fevereiro de 2020

Estruturas Psicomotoras - Equilíbrio

Estruturas Psicomotoras

Equilíbrio

O equilíbrio é a capacidade de manutenção e orientação do corpo e de suas partes em relação ao espaço externo e a ação da gravidade. É obtido por meio de informações visuais, labirínticas, cinésicas (estudo da linguagem corporal) e proprioceptivas (capacidade de reconhecer a localização espacial do corpo) integradas ao tronco cerebral e cerebelo. 

Uma condição básica da psicomotricidade, visto que envolve vários ajustamentos posturais que dão suporte a atos motores, é a resposta motora vigilante e integrada, face à força gravitacional que atua sobre o indivíduo. Reúne um conjunto de aptidões estáticas (estuda o equilíbrio de forças) e dinâmicas (estuda relação entre movimento e as suas causas), abrangendo o controle postural e o desenvolvimento das aquisições de locomoção.

Graças à equilibração, o ser humano pode realizar diversos movimentos, inclusive a particularidade da postura, nos diferenciando dos outros animais. Porém essa postura somente é possível, porque o homem possui dentre as suas características físicas e químicas o processo mielinização, que vai se constituindo e se completando, no decorrer do desenvolvimento da criança. Para isso, dividimos a aquisição da postura em algumas fases importantes:
 - 3º mês - a criança passa da posição deitada para sentada com apoio (pescoço com sustentação firme para a cabeça);
- entre o 6º e 8º mês - conquista da verticalidade e a criança já consegue ficar sentada sem apoio. 
- 9º mês - a criança já pode rastejar e engatinhar;
- entre o 9º e o 10º mês - a criança já começa a se manter em pé com apoio durante um tempo maior; 
- entre o 11º e o 12º mês - a criança já consegue dar seus primeiros passos, também ainda apoia em suas mãos;
- entre o 12º e o 14º mês - inicia-se o período de marcha, onde a criança já pode se locomover sozinha (fase em que ainda há um ajustamento do eixo e ocorrem algumas quedas).

Segudo Wallon, as fases podem variar com relação ao tempo, de criança para criança, porém existe um limite a ser respeitado. "Na marcha, o passo é a acomodação do pé e do equilíbrio ao solo, às irregularidades ou desnivelamentos, e ao porte, às resistências que ela encontra.

A marcha, quando adquirida, tem fator de muita importância para a criança, pois favorece a individualidade de se movimentar pelo espaço que a rodeia, de forma livre, podendo ela escolher aonde, quando e o que explorar. Para esta conquista, o indivíduo passa por diversas dificuldades, inclusive a de sustentar o peso do próprio corpo e a de superar as quedas que ocorrerão, até que o corpo encontre o seu equilíbrio, sendo constatado a aquisição mais cedo nos meninos  do que nas meninas. A marcha acontece na sequência de deslocamentos e retornos do centro de gravidade, do ponto de origem ao local de exploração.

Há autores, que enfatizam que a marcha ocorrerá no tempo certo, ou seja, após um processo de maturação nervosa, e outros que acham que o resultado da socialização, o fator efetivo e relacional, tem função essencial para a sua aquisição. Não podem negar, que ao conseguir se locomover, a criança obtém mais experiências com os adultos, e o meio que a cerca. A marcha deve ser adquirida no tempo certo do processo de desenvolvimento infantil, tanto o estímulo para que ela aconteça antes quanto a inibição, podem trazer sérios prejuízos à criança. Andadores, por exemplo, proporcionam o desenvolvimento primeiro dos pés e depois da região do quadril (desrespeitando a lei céfalo-caudal), assim como colocar a criança durante muito tempo em chiqueirinhos, impedem-na de conhecer e experimentar através do seu corpo todo o espaço que ele utilizará futuramente.

Uma pessoa não conseguirá estabilidade, se não tiver o centro de gravidade de seu corpo, dentro de uma base de suporte. Com instabilidade corporal a equilibração não acontece, pois não há atenção e controle tônico no movimento. Para achar o equilíbrio, o corpo passa por um certo desequilíbrio postural, isto é percebido quando a criança, antes de permanecer em pé, ajusta sua equilibração em outras posturas (sentada com apoio, sentada sem apoio e em pé com apoio). O grau de mobilidade do corpo depende de alguns fatores: 
- a altura do centro de gravidade acima da base de suporte;
- o tamanho da base de suporte;
- a localização da linha de gravidade dentro da base de suporte;
- o peso do corpo. 

Os subfatores da equilibração são:
- imobilidade - é definida por Guilmain (1971), como a capacidade de inibir voluntariamente todo e qualquer movimento durante um curto lapso (erro) de tempo.
- equilíbrio estático - requer as mesmas capacidades da imobilidade em situações diversificadas.
- equilíbrio dinâmico - exige uma orientação controlada do corpo em situações de deslocamento no espaço.





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